terça-feira, 8 de maio de 2012

Ensaio sobre a distração e outros deslizes


Isso é pra ser no mínimo questionável, pois quem me conhece sabe do meu apego ao desapego. Da minha inconstância, da valoração da liberdade e do poder ir e vir, do poder rasgar e soltar e nem sempre ter que voltar. Eu gosto de permissões comigo mesmo e isso basta[va]. Eu tinha um sério caso com questões de múltiplas escolhas e a vontade de não parar em nenhum lugar, igual aos verbos que passam de pronome em pronome, apegados à métrica e concordância. Então, num dia qualquer você percebe que algo está errado, que a vontade de parar em um lugar chega; quando você percebe que o mundo não é tão interessante o quanto mostram na MTV; você passa a considerar bom estar num só lugar, estar aqui, nesse mesmo lugar que o outro, seja pra cortar as suas unhas, seja pra falar do mercado financeiro, seja pra brigar por causa das mudanças climáticas ou do meu temperamento agridoce,e principalmente pelo [des]caso de estarmos a vontade de mais. É isso, apareceu à vontade de ficar, de usar as minhas garras, veneno e ácido pra proteger, só que em um só lugar e a uma só pessoa.

domingo, 18 de março de 2012

A demora do outro dia.



Tudo vai ficando velho lá fora, aqui dentro e em toda parte.
Certa vez me orgulhei de concordar com o vídeo do Luis Flavio Gomes: A esperança não combina com o sucesso! Mas dele, pra ser prático na minha vida, eu não arranco nada.

Dia desses vou acabar ganhando um “cuide da sua vida”. Aceitarei igual ao cuide dos seus pareceres”.

Bom, a minha vida não carece de cuidados, não tenho churrascos a ir, nem festas, não tenho palco pra brilhar.

Você sempre pediu que eu tivesse cuidado. E eu nunca entendi. Justo você, que sempre sabia o que fazer, acabou me pedindo pra ser melhor do que você foi. Não dá. Não tem como. Eu não consigo. Talvez também não queira... sabe, eu ainda te sinto bem perto. Tão perto e tão longe, que me confundo toda. Choro e riso. Cena clássica. É como se você estivesse aqui. Como sempre esteve. Onde deveria estar. Eu queria ouvir sua voz. Tenho medo de esquecê-la. Tenho medo da sua ausência. Tenho medo de não saber cuidar de mim e das tuas lembranças.

Isso é o meu pai!

Cuidar de si é algo que está sendo procrastinado pela pessoa [in]competente.

Nota pessoal cuidar de si é algo chato, incomoda pra caráleo. É como se o fato de ler Zaffaronni solucionasse os meus problemas. Grande ilusão!

Correr, dormir, ligar, ir atrás, reclamar, falar, pedir, implorar, brigar, desejar e pedir, no perigo enfrentar, qualquer coisa fugir, procurar, descobrir, decifrar, amarrar, impedir...

O mundo é daqueles que se levantam. Cuidar de si é sair do lugar. Procrastinar a espera apenas isso.

Eu só quero que você se cuide. Que faça um plano bom e o tenha pra você no plano prático.
Não seja como eu. Use a sua vida. Carpe diem.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Constelações.


Os ventos ocidentais frequentemente duram muito tempo

E quando eles se acalmam, nada é mais o mesmo

Abrigado sob a árvore de Kamani

Esperando a chuva passar, passou

As nuvens continuam se movendo para descobrir o mar

Estrelas acima de nós perseguem o dia, as nossas horas

Para encontrar as histórias que às vezes precisamos

E sermos apenas um só na nossa breve imensidão

Escute perto o bastante e tudo o mais se desvanece

Desaparece

E era apenas outra noite

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sobre amar.




Pode ser irônico, sacal, seco, amargo ou qualquer coisa do tipo o que vou dizer aqui, mas amar é uma tremenda sacanagem com quem não opta por esse suplício.

Optar, escolher?! O que seria isso nesse mundo onde habita esse fragilizador de planos que é o amor.

De nada adianta se fazer forte, construir alicerces e planos, levantar toda uma fortaleza para esbarrar em ruínas, somos fracos a tal ponto que um cara passa do seu lado, te dá um sorriso e está tudo acabado. A sua vida não te pertence mais.

Os livros se tornam inúteis, os filmes repetitivos.

O francês, latim, inglês britânico, o espanhol? E as teorias?! Pra quê servem diante do poder corrosivo que detém o amor?

O amor te faz boba, fácil, tolerante.

O amor transforma o simples fato de o cara chegar, te beijar, em uma temporada em Passargada. O resto do mundo perece, acaba.

Eu não gosto do amor, dessa idéia de perder o controle da sua vida.

É isso e nada se pode fazer a não ser comprar analgésicos e opióides para curar qualquer coisa que cria, que dói. Porque dói, ninguém tem dúvidas.

As músicas passam a ser serenatas, as paisagens na estrada viram poemas.

A sua vida passa a ser a vida de outra pessoa.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Aniversário.



Amanhã é o meu aniversário!


Em outros anos eu encarava isso com bem mais caretice e inúmeros complexos de inferioridade. Parecia uma louca cobrando demonstrações públicas de afeto, querendo que a minha mãe me desse um presente extra caro [não bastava ser carinho tinha que ser extra caro], queria um grude, que todo mundo grudasse em mim. Isso passou, até a questão do grude!

Foram vários anos e passei por poucas e boas. Em um deles a mãe de uma amiga minha faleceu e isso me marcou pra sempre, eu lembro sempre e me sinto com o dever de virar anjo dela. A dor foi tão complicada porque enquanto eu compartilhava aquele sofrimento os meus amigos faziam brigadeiro, pipoca e jogavam PS no meu AP, no andar de cima.

Ano passado eu entrei o meu aniversário na casa de umas amigas, ganhei os presentes mais bizarros, tipo, muito bizarros: vela de papai Noel [mês de janeiro], pé de pimenta, cola maluca, uma caixinha de jóia sem a jóia...Foi tudo mágico! Bebi muito. Em meio a seis bilhões de pessoas liguei pra um idiota e disse que o amava, Ele disse "me too". Chorei por que queria o meu pai, a minha prima, também queria Elvys. E chorava mais ainda porque ainda tinha consciência pra perceber que eles não voltam.

Nesses anos fui acumulando muita coisa, não como uma "obstrução", mas como construção. Ninguém presta, todos são humanos e nojentos e isso me inclui. Acredito estar menos hipócrita e abstraindo mais o quê faz mal. Estou dando mais espaço pras pessoas me conquistarem.

E o amor? Aos 23 não amei. Isso me ensinou a respeitar o fim das coisas. Vi o outro lado que eu sempre julgava. Mas isso não fez de mim leviana. Não. Continuo planejando ter alguém pra eu cortar as unhas dos pés e que converse muito comigo, mesmo que isso demore!

Vejo muita responsabilidade em ter vinte e poucos anos. É como se estivesse incumbida da obrigação de construir o futuro com o tormento da saudade e tentação da irresponsabilidade do passado. Não me entenda mal, na juventude a minha responsabilidade [geralmente] esteve ligada à notas e atividades intra curriculares. Hoje, não só.


Os aniversários são mágicos, eles ficam matutando isso na sua cabeça o dia todo. O tempo todo!

Nesses anos eu vejo com mais clareza o significado de cada ligação, dos doces, dos abraços, das palavras, dos balões!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Intuição.


No início pareceu tormentoso ver dezembro ir embora tão bem e no findar desses dias tépidos implantar-se uma dúvida nos meus planos - dotada da covardia que costuma acompanhar as dúvidas. E tudo continuou bem não tendo estado em um trampolim de dúvidas; De algo que a fez questionar princípios, rever conceitos, de ser leviana de não agüentar a si e encher-se de álcool por não suportar-se naquele dia, um dos últimos dias.

Ela costuma usar o álcool para afastar-se de se, estar sã, inconsciente porque a ciência às vezes estraga o prazer, a vida. Mas naquelas horas nem o oráculo [criminólogo] a ajudou.

Ela parou para analiticamente poder ver as distorções das coisas que já são moldadas. E lamentou as desintenções que provocava tanta coisa. E ali haviam planos e estratégias tão simples, de fazer algo, apenas algo.

E nessa história entra tanta coisa importante além de uma achismo medíocre e uma crise de auto confiança. Isso passaria nas minhas costas. Implantava-se no doce dezembro tão cheio de travessuras a responsabilidade de opinar, de continuar ou parar.

Por horas a sinceridade dela esteve confusa e não dava espaço para a intuição. Não havia nada de grave até ali, a não ser o que fosse deixar de acontecer. Passou-se então a entender como os sonhos e projetos se desfazem, pelo medo irresponsável do pesadelo alheio, pela despadronização dos modos, dos laços, pelo desuso da intuição na era da nanotectonogia.

Então bebeu-se mais, foi pra longe, perdeu o sono. Reutilizou a intuição; o ver “dar certo” na perspectiva alheia e criar planos é algo muito sério. Ela percebeu isso. Percebeu-se que em meio a tudo isso havia uma ligação sadia e boa. Até hoje isso é unilateral, mas ela prefere acreditar nessa assertiva. Acreditar que algumas quedas fortalecem as vértebras. Que as razões são muitas vezes descabidas e que por medo ou preguiça deixamos de realizar.

E foi por algo tão antigo e abandonado que ela resolve continuar, a intuição.

Ela acredita que desde o início a intuição tem sido a base de tudo, e vai continuar assim, até onde for,em prol de algo que intuitivamente parece bom e importante. E quando tudo acabou e pronto. Ela respeita isso crendo que respeitar o fim das coisas trata-se de uma arte. E tudo vai bastar pelo que foi.

Ela não mudou de planos porque acredita no que via, na áurea da pessoa, acredita no bem e sem maldade insiste nisso sem medo dos contra- argumentos em demasias.

domingo, 1 de janeiro de 2012

2011



2011 a felicidade não esbarrou apenas em mim, mas em quem quis se encostar, tomá-la emprestada, compartilhar, em quem quis apenas sonhar. A felicidade passou de intensão, de papel de parede, de notas fiscais, rascunhos e contra fé. Ela esteve na hora do almoço, nas “três da tarde”, no tanque seco e nas luzes de neon. A felicidade esteve nas degustações de safras boas e ruins. Esteve nas terças feiras mágicas do nosso tempo. Ela esteve na nossa falta de tempo. Feliz se fez uma outra quinta feira sofisticada ao som de Dylan e Sinatra que me fizeram molhar os lábios ativos, tudo se fez.


2011 dançou no reggae, blues, tango e principalmente o meu preto rock’n holl, nele dançou-se muito. Sem se falar nos sábados de garoa sem sinfonia, das tardes de domingo cinzas e sem alegrias, mas sempre passaram como o moço do algodão doce, cantando.


E nas paredes de alecrim do Chile, Santiago e suas estupidez amareladas e sem o gosto da Dalí. Mas nada isso explica da minha vida que viajou rotinas diárias desse 2011 perfumado nas manhãs montanhosas e nas curvas sinuosas do medo confiante. E esses dias passaram mas teve adeus sem despedidas [e o melhor avô do mundo resolveu juntar toda família para sentir saudade]. Teve amor de adolescência que fez-se fim num acidente numa triste estrada. Teve amor que [pra variar] veio de longe só para provocar. 2011 também teve romance esnobe porque tem gente que ainda não aprendeu a amar.


E 2012?! Ah, a partir de hoje, tudo é propósito. Porque a partir de hoje há uns trezentos e sessenta e seis dias para escandalizar a falta de compromisso com o [des]caso. Porque a partir de hoje tudo é muito pessoal. Tanto, que Chico [o Buarque] já marcou para março seu pedido de desculpas por não ter comparecido em 2011. Já o desculpei pela ausência e prometi amor eterno. Sim, confesso: sou do tipinho que se envolve com planos breves de felicidade, ainda mais quando ela vem em terças-feiras musicadas, em gente disponível de verdade, em lugares que me permitam além da sala de estar. 2012, meu caro, seja suficiente, seja doce e imperativo para ser melhor que 2011.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Não ter.





A vida não me deu a oportunidade de ter você. Ela não me deu oportunidade alguma.


E a cada vez que olho pra trás me dói no vazio de cada coisa que perdi, de cada sorriso teu, das tuas lágrimas, do teu medo, alegrias, da vida que eu não estava lá, ao seu lado como um par.

Isso tudo é apenas mais uma etapa das que eu pulo, saltos na vida os quais me engano com os meus livros onde me escondo e encubro os meus vazios naquelas teorias tão cheias de sentidos.

A vida não é minha amiga quando me mostra as tuas fotos, a tua vida tão distante da minha.

Estamos sob o mesmo céu, tão pertos e tão errados. A culpa não é de ninguém, é só da vida mesmo.

Então eu olho todas às vezes pros teus olhos e me vejo neles, além de alguns recantos da tua trajetória que me impede de seguir a minha, feliz; o verde infinito dos teus olhos me tiram apenas isso mesmo.

Muitas vezes eu quis te pegar pra mim, guardar num potinho, te abraçar pra sempre.

Muitos dias senti inveja dessa rua sortuda que te vê passar todos os dias.

Muitas horas me atormentam com o desejo de ser as paredes das cinco da tarde, estas que te recebem, que cuidam de você, do seu cansaço, das angustias, vitórias e derrotas.

Eu sinto, sinto muito.

E diante disso tudo eu só queria uma oportunidade de ser [mos], de algum dia poder dizer que somos nós. Que a vida seja menos travosa e amenize a comparação do meu não ser.

Eu quero força pra desgostar de você, pra não te ter por volta das quatro, do meu lado, de fazer você brincar de dar nome as coisas, comigo, de contar animais na estrada...

Eu quero forças pra suportar não te ter todas as manhãs “ao meu lado”, meu amigo, meu amante, tudo meu professor, meu aprendiz!

Você é tudo o que eu pedi a papai Noel no Natal de 2005, é o meu amor que gosta de cachorros.


Mas não é tão meu assim.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Tempo


Houve um dia em que sair pelas calçadas largas das ruas de Fortaleza abstraía grande parte da solidão de estar sozinha, sozinho, de estar a sós... E observar algum episódio da vida de pessoas, que eu não sei quem são, me fazia um bem danado, tudo isso por volta da vulgar três da tarde. Eu melhorava a ofegante angustia que me visitava com freqüência nos dias [sem] rotina.


Olhar amores e desamores; as pessoas brigam e muitas vezes estragam momentos hiper planejados e ensaiados, outras, nem percebem que esses momentos acontecem e deixam tudo desperceber. Eu ficava naquelas calçadas vivendo a vida dos outros por imagem e concluindo, através de camadas e camadas de hipocrisia, que o fato de eu ter com quem sair sábado a noite não excluía a minha solidão, aquele vácuo de ter alguém só pra ter alguém. Quando no meio de tudo isso Zeca Baleiro cantava ironicamente, com um exagero sacal, assim: “meu amor, minha flor, minha menina, solidão não cura com aspirina...”, pensei nisso e agi.


Mudei muita coisa, inclusive me desvesti daquela camada hipócrita que era a idéia de que eu não estava só. Fiquei só de verdade, mas encontrei o que fazer todos os sábados à tarde além de estudar embriologia e física quântica. E foi nessas tardes de sábados qualquer que encontrei uma palestra do Luiz Fernando Veríssimo pra ir e sem pagar nada. Isso foi sursis na minha vida!

domingo, 4 de dezembro de 2011

O dia de sair. Outra vez, sair.



Eu gostaria de escrever tudo isso de um modo impessoal e longe de um objetivo explicativo do que quer que seja, mas é difícil e embora seja possível eu não vou tentar. Era só um desejo em meio a um turbilhão deles [eventuais].
Hoje foi o dia de arrumar malas, desarrumar estantes, pegar em coisas guardadas para guardá-las [outra vez] em outros lugares.

O fim é sempre tenso e frio... Não por que acabou, mas porque é fim e tem que macular com o sentido da coisa.

Na tarde de hoje após um início de dia extremamente afável, aconchegante e cheio de amor familiar eu fui dar adeus para algumas paredes que foram por muitos dias as minhas únicas companheiras. Elas assistiram as minhas lágrimas, os meus lamentos, a minha solidão, o meu prazer, o meu desfazer...

Estive sempre abraçada a uma vida mística, mas vez por outra mergulhava no ceticismo mais avassalador que se possa desacreditar, e isso destruía qualquer suposição ou crescimento. Talvez sejam por essa razão que afirmo que essas paredes nunca me foram promotoras de sorrisos ou festejos, elas me faziam melancólica sempre que me rodeavam e o jardim tinha a mania de juntar a água da chuva sempre nos mesmos formatos.

As poças de água me lembravam um perder, o abandono das escadas daquele velho edifício encima da padaria, dos campeonatos de PS, das aulas de física e dos porres trilhado por Pink Floyd. Acontece. Abandonei aquelas paredes testemunhas de tantos sorrisos irresponsáveis e inocentes.

Essa casa que hoje eu dou adeus me fez perceber que naquelas outras paredes e escadas longas a minha força era bem maior. Embora eu não tivesse o meu cabelo vermelho a minha coragem era mais intensa. Ali se acreditava mais, amava-se mais, vivia-se mais. Ali se lia menos, dormia-se menos, importava-se menos.

Na verdade a intenção era abandonar tudo aquilo que misticamente não era doce nem sadio. E por mais que tudo nessa casa me pesasse muito, a sua partida também me pesou. Pode ser que pela ausência do querer lembrar. Ou melhor, pela a ausência de motivos que instigasse a lembrar qualquer paranóia. A não ser de um carro preto [sempre] parado lá na frente. A não ser, das palavras grossas que formaram o meu vocabulário por fim. A não ser a sensação de insônia nas despedidas e vontades de ver o mar.

A casa passou e ainda estou lembrando-se dela, do branco de cada parede, de cada porta e de cada fato. Lembrarei do branco e do breu da lacuna que essa casa me deu. [Dois anos se passaram].

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sem nenhum motivo.



As razões se perdem pelo tempo que não foi. Pela lembrança que não é minha, pelo 'eu te amo' que não é meu.

Essa mania de chegar tarde me maltrata demais. Então eu vejo todas as experiências que você já teve, toda uma história, tudo, e eu queria.

Um natal, uma páscoa, um dia das bruxas, um dia dos pais, a noite mais fria do ano, uma pescaria, um domingo cinzento, o dia do amigo, aquele dia triste, uma praia, você, no meio de tudo isso! São desejos vãos que corroem pela sensatez de enxergar as impossibilidades. Muita coisa já se foi!

E são pelos olhos, apenas, que tudo isso existe. Nada há mais que o poder dos teus olhos para mover em mim qualquer músculo, sensação e calor. Dói por dentro e eu pareço ferro e me desmancho aqui com as palavras que é tudo o que resta.

Esperando que isso passe, que esse desejo desmedido de te ver, de olhar pro verde infinito dos teus olhos... Embriagar-me com a torpeza de não te ter. Sofrer? Talvez.

O meu corpo não consegue ter paz quando está próximo dele e eu invejo essa rua que te vê passar todos os dias. Sortuda a pessoa que te toca, que lhe beija, que te abraça. Sinceramente eu não entendo tudo isso porque há uma fogueira que me acorda e uma nuvem que me esfria.

Quero guardar esse sentimento devasso, avassalador, que não me pediu licença, que me tira do sério, que me tira de se.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

You Learn.



Eu recomendo ter o coração imune a qualquer pessoa, a qualquer tipo de pessoa.
Eu recomendo que você preserve a possibilidade de andar nua na sua sale de estar sem causar transtorno pra ninguém [sentir-se livre]
Eu recomendo estar bem e a engolir apenas o que é bom [cuspir o resto]
Eventualmente tudo acaba e o fim nunca é tão divertido quanto o início.
Eu recomendo sentir.

"Você vive, você aprende,Você ama, você aprendeVocê chora, você aprende,Você perde, você aprende,Você sangra, você aprende,Você grita, você aprende"

sábado, 15 de outubro de 2011

Há quem diga que esnobar é exigir café fervendo e esperar esfriar...




Nada mais aprazível que uma visita a um supermercado numa madrugada de sábado pra domingo. Almejando aquela paz dentro do estabelecimento, poucos consumidores, caixas vazios, silêncio… tudo que você gostaria se a vida assim pudesse ser, todos os dias.

Embora estivesse visivelmente embriagada, mas ainda com alguns sentidos atentos, gozava de uma rara fluência no trato com quem estivesse em meu caminho. Fui benevolente ficando na fila sem reclamar. Tinha fome, comprei um pacote de pão integral, mostarda escura, salame e mortadela com picles. Uma garrafa de refrigerante para repor o açúcar e tudo mais – sendo que o mais era uma [ apenas ] garrafa de vinho barato.

Não eram nem cinco ou seis pessoas ali, afora segurança e alguns funcionários do estabelecimento. Nada poderia dar errado.

Um pobre diabo tentava passar seus cartões a todo custo em troca de miseráveis dois litros de leite, um pedaço de carne, pacote de pão e uma lata de atum. Não estava alterado nem nada, mas nitidamente frustrado por não completar o pagamento porque lhe faltava saldo no banco.

Uns quatro ou cinco adolescentes praguejavam atrás de mim, chamavam de vagabundo, mexiam com a caixa e faziam algo muito pior, enchiam o meu saco. Parei de prestar atenção na frente do caixa para dar conta do falatório no meu ouvido. O homem vai embora sem suas compras e com o olhar disparado pro vazio que é sua vida no meio da madrugada – acredito que durante o dia não seja diferente e talvez até muito pior.

Começo a passar meus produtos e a molecada praguejando, um com salgados outro com refrigerantes e energéticos e todo resto com biscoitos recheados. Maconheiros. Nada contra quem enche seu corpo de entorpecente, mas para quem não dá valor a sua saúde não tolero julgar a miséria do outro, principalmente de quem ainda trepa na casa do papai e pede para a mamãe limpar a bunda sempre que termina as suas necessidades. Assim é fácil julgar.

“Bela treta seria agora, meio da madrugada, eu aqui cheia de ódio dessa raça imunda que se tornou a juventude que aprendeu a ler numa rede social e volta pra casa bêbado sem ter pego ninguém na balada. Acho que dou conta de três, outros dois vão me bater a tempo do segurança do supermercado agir…”

Foi o pensamento que me ocorreu naquele instante em fração de segundos.

- São pessoas como você que tornam o mundo essa merda…
- Falou comigo?
- Então o imbecil escutou? Sim, falei com você mesmo – escolhi um alvo, a coisa agora era pessoal.
- E a doidinha ai de cabelo vermelho sabe tudo né?
- Sei mais do que você seu baby care.

Nesse momento um dos garotos alerta que a minha camisa tinha escrito Senhora [ Sargento] de Armas. É claro que nenhum deles nunca deve ter visto Sons of Anarchy e nunca vai entender a patente do personagem de Tig, braço direito de Clay Morrow numa versão feminina e tudo mais. Pararam de mexer comigo. Parei também de provocar. Gastei quase cem contos nas compras. Os moleques contavam moedas. Sai como se nada tivesse acontecido. Não olhei pra trás.

Chegando em casa me dei conta que fui tão fútil quanto eles. Poderia ter ajudado aquele pobre diabo nas compras em troca do meu bel prazer.

Viram como a gente precisa mesmo evoluir?

Pequenas adaptações de Old School

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Pessoa em confissões desmerecidas


Ela repete desmedidamente à doutrina que não segue, as manias que não compulsam, a fé que desacredita e prostitui as suas convicções. E o que seria tudo isso além de uma máxima mais que popular? Isso é a parte humana que habita Nela todos os dias por volta das seis da manhã.
Ela passa o seu tempo fazendo análise das mazelas humanas e deixando que a sua parte ainda sadia se corrompa com o ácido cítrico que tudo isso produz.
E de dia ela é ácida, sem sol Ela é fel, sem paz ela é doce, com a lua é insana, com os versos Ela é criança e brinca, tanto e com erros, assim, [também]Ela faz os seus dias sem Ele que é feito de nuvem.
O pecado todos os dias deixa de morar ao lado e se muda para a porta da frente e nunca há o barulho esquisito da sua voz. Ela vive com as suas verdadeiras palavras escondida no sangue. Ela se derrama de paixão e nunca fala nada porque Ele tem a chave do seu peito que lhe daria passagem para o inferno mais próximo do amor.
As palavras se fazem, outra vez, um inferno e a última paz. A palavra é uma bala revestida de carmim e explode no peito, só no peito.
Ela não sabe pra onde olhar por que Ele é invisível, Ele não pode existir nas manifestações de fé, nem de dor, nem de prazer, e o silêncio sobrevém a tudo.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Seiva bruta.





Se de algum modo assim eu pudesse, não te amar, necessariamente, só olhar e admirar o que não há em mim...
Se você deixasse eu queria ser você por dentro, vez por outra te desfrutar do modo que não ajo e na obscuridade do pecado que vai de encontro à razão.
É no silêncio das palavras escritas;
É no querer te ver bem mais que do modo imóvel.
Eu não vou dizer que te amo, não vou querer-te pra sempre, nem sempre. E esse desejo seguirá o rito cíclico dos sentimentos e das emoções e passar!
Você me desperta fixação de pensamentos de querer implantar liberdade onde não há.
Então, por não haver promessa nos teus olhos nem nas tuas palavras, a tua presença me encanta, por alguns momentos e perspectivas de pensamentos, isso sobra viu?
E como numa dança torpe numa noite qualquer, fria ou quente, as palavras poderiam tornar-se supérfluas e outras coisas serem mais, sermos nós.
Bem mais por dentro e sermos seiva bruta, que secretamente é a vida de tudo aquilo que é verde, de tudo aquilo que é cor!

domingo, 4 de setembro de 2011

Jack, isso também passa!


As coisas são como merecem ser. Cada vírgula, cada passo, tudo é longe e nada é fácil.
Superar é um descrédito que nos damos quando algo tá doendo, mas a dor ajuda a suportar outras dores e tudo passa e tudo é justo e tudo é necessário pra crescer.
Sabe o boteco, a calçada da igreja e o violão, as noites de lua cheia, uma calçada deserta na minha rua, o conhaque, a vodka, o Jack Daniels lacrado, o bolo de café, a noite mal dormida, o cappuccino a sós, a vida pregressa mal redigida, a conduta ilibada pro currículo, as questões de múltipla escolha, as palavras vãs, as fúteis também, a redundância e a arrogância, o perdão que não há, a fé que não crê, tudo isso com a ajuda de conversas e um pensamento miserável me fizeram compreender que não era você, sinceramente meu bem não era, você não existe mais!
Todo mundo faz merda na vida e eu não ia ficar de fora... a gente erra, de verdade.
Acontece e sempre tem que acontecer.
Liberdade, agora é a sua vez!

domingo, 21 de agosto de 2011

Desmaiar paixões em verbos



Dessa vez é pra dizer de verdade, dizer que você não é especial por conta das minhas palavras que cantaram pra você; palavras é a minha especialidade. E amar e desmedir e falar e dizer e pedir, esse é o modo.

Isso acontece com todos, lamento, se for preciso.

Os seus chutes imaginários, as paradas e estradas que acredita ter me deixado, para trás, não são um ponto final nem intermediário de lugar nenhum... Já num plano real, fora do seu acervo imaginário, é um ponto de partida pra vários lugares, pra tanta gente.

De um lado reconheço as minhas feridas, que visíveis, doeram por longas noites e ebriedades.

Construíram montanhas, muralhas, poços, construíram a minha paz e desespero.
Admito ainda que sou fraca, em alguns aspectos, todo mundo é, todo santo é são, você sabe.

Embora doa, o teu cheiro, as tuas músicas, digo a todos, os seus cheiros, as suas músicas, de todos ficam, numa lembrança sutil e alguns gostos de vontades vorazes... [lembrar é bom].

Eu lamento até por elas, que foram tantas ante a sua necessidade de múltiplas escolhas.

Elas não têm o meu veneno, a minha ideologia anti farpa de não amar. Pobre delas em companhia de um doce murmúrio de tais amores.

Eu nada cresço em dizer-te tais conjunturas desmedidas e desalmadas, mas sobra, sobra isso em mim, embora não te supra.

Repito outra hora comigo e com quem quer que seja, então, pra amar, somente o mais profundo dos sentimentos que me pegue, repentinamente, de vendas e sem armas, para assim me persuadir a usar farpas das quais não posso remover com uma pinça;

Aquelas farpas que fora do infinitivo devastam, mazelam, torturam... alguns dizem amar.

Desmaiar paixões em verbos



Dessa vez é pra dizer de verdade, dizer que você não é especial, por conta das minhas palavras que cantaram pra você; palavras é a minha especialidade. E amar, e desmedir e falar e dizer e pedir, esse é o modo.

Isso acontece com todos, lamento, se for preciso.

Os seus chutes imaginários, as paradas e estradas que acredita ter me deixado, para trás, não são um ponto final nem intermediário de lugar nenhum... Já num plano real, fora do seu acervo imaginário, é um ponto de partida pra vários lugares, pra tanta gente.

De um lado reconheço as minhas feridas, que visíveis, doeram por longas noites e ebriedades.

Construíram montanhas, muralhas, poços, construíram a minha paz e desespero.
Admito ainda que sou fraca, em alguns aspectos, todo mundo é, todo santo é são, você sabe.

Embora doa, o teu cheiro, as tuas músicas, digo a todos, os seus cheiros, as suas músicas, de todos ficam, numa lembrança sutil e alguns gostos de vontades vorazes... [lembrar é bom].

Eu lamento até por elas, que foram tantas ante a sua necessidade de múltiplas escolhas.

Elas não têm o meu veneno, a minha ideologia anti farpa de não amar. Pobre delas em companhia de um doce murmúrio de tais amores.

Eu nada cresço em dizer-te tais conjunturas desmedidas e desalmadas, mas sobra, sobra isso em mim, embora não te supra.

Repito outra hora comigo e com quem quer que seja, então, pra amar, somente o mais profundo dos sentimentos que me pegue, repentinamente, de vendas e sem armas, para assim me persuadir a usar farpas das quais não posso remover com uma pinça;

Aquelas farpas que fora do infinitivo devastam, mazelam, torturam... alguns dizem amar.

sábado, 20 de agosto de 2011

Estupidez.



Eu gostaria que fosse amor, ou poesia, mas isso é quase esquizofrenia.

Eu paro em frente ao espelho, no lago, sinal ou fogão e me pego tecendo relatos ao seu respeito. Antes fosse qualquer coisa falsa ou sentimento fraco, mas é forte e me fazia abraçar os joelhos na espera de refúgio físico pros impulsos.

Ligar-te, escrever-te, falar-te... Palavras inúteis e necessárias em contraponto.

Eu não queria lembrar-se de nada, queria ser indiferente e parar de bater o pé. Há tanta água nos meus rios e eu ancorada no seu mar tão raso.
Isso foi bom por algumas horas, isso fez mal pra vida toda. Ontem à noite eu precisei do mais forte dos analgésicos e opióides pra poder continuar gente.

Acontece! Você foi simplesmente o tumulto da minha vida. O vômito do meu porre [essencial]. Você foi.

Se eu desligasse o rádio e a música parasse de tocar, mas ela não para, e se repete a cada ato jurídico estúpido e vão dessa saga sacal e contínua.

Vou tentar outra vez, e com razão por estar nesse momento nos ombros do Gigante, ele me ajudará.

Vergonha, nojo, saudades, afeição e desprezo...foi um misto de sentimentos devastadores, os quais desejo um dia não sentir mais. Mas, como num conto de fadas ou num filme do Almodóvar, acontece!

O resto, o tempo dá jeito.

sábado, 6 de agosto de 2011

As noites e a noite.





Parecia de mentira aquela noite sem dinheiro, sem esperanças, sem amigos e sem as chaves de casa.


Aceitar ficar naquele hotel com vistas pro Vidigal e gastar todo o dinheiro do álcool para aquela madrugada com essa hospedagem seria uma burrice.


Então o seu pai aparece justamente no bar em que resolvemos entrar e tomar um pouco da “alguma coisa” que nos restava.


O seu pai é muito estúpido e eu adoraria cuspir nele. Não por mim, mas por você.


Então ele te dá dinheiro e me manda ir embora da sua vida, da sua rua, do seu sinal de trânsito.


Os sapatos dele bem polidos nunca amenizariam a minha indignação pela hipocrisia que reflete deles. Aquele paletó [que daria pra pagar um semestre da minha faculdade] cor de chumbo parecia mais um colete a prova de balas, a prova de verdades. Mas você é minha amiga e desejo profundamente que nunca leia esta página.


Estar fora de casa, longe de casa, fora de se...


A pessoa mais imbecil e que mais te faz ser imbecil na face da terra, só porque vocês se beijaram numa casa qualquer, não pode te ver nesse dia porque a atual, da vez, namorada dele, estava chegando de Buenos Aires.


Então me restou uma carona, depois de passar em um bar e beijar um cara que usava um all star verde cana, furado na lateral esquerda deste mesmo pé, e tomar um tanto muito de “alguma coisa”, sem saber o nome do cara, mas procurando na agenda do celular o seu número pra ligar na próxima confusão mental.


A carona não era pra minha casa, eu não tinha casa, era pra qualquer lugar que tivesse um chão limpo e um pouco de vodca. A culpa não era de ninguém, tudo isso eram coisas da vida, só dela.


O dia não acaba ai. Sabe o imbecil, o da menina da Argentina? Ele me liga. Ele vai até onde eu estou, em uma casa qualquer e a gente se beija, sempre. No meio disso tudo eu senti, apenas, um leve cheiro daquele perfume cubano de uma das últimas viagens felizes. E embora todos esses desprendimento físico [dele] e emocional [meu], ele afirma que não me ama e eu confirmo que esta nunca me foi uma condição para usá-lo.


Não houve mais beijos nem palavras; apenas três pneus incinerando em meio à estrada que me levava pra casa.